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Por Guilherme Villari — Corretor de Seguros SUSEP 202107215

Seguro para Drone: RETA Obrigatório, Casco e Preço em 2026

Foto do escritor: Guilherme Villari / BRASIL SEGUROS (BRSEGURO)
Guilherme Villari / BRASIL SEGUROS (BRSEGURO)
11 de jun.
8 min de leitura

Atualizado: 21 de set.

Todo drone usado em operação não recreativa no Brasil precisa de seguro RETA. O RETA cobre danos que o drone causar a pessoas e bens na superfície, é exigido pela ANAC e independe do peso do equipamento — um drone de 900 g em voo comercial está na mesma obrigação de um de 25 kg. O que o RETA não cobre é o próprio drone: queda, colisão e flyaway só são indenizados pela cobertura de casco, que é separada e facultativa.

O seguro de drone é obrigatório?

Depende do uso, não do preço do equipamento.

Obrigatoriedade de seguro por tipo de operação com drone:

Situação

RETA

Cadastro

Recreativo, até 250 g, linha de visada

Dispensado

Dispensado

Recreativo, acima de 250 g

Dispensado

SISANT obrigatório

Comercial ou corporativo, qualquer peso

Obrigatório

SISANT obrigatório

Agrícola (pulverização, mapeamento)

Obrigatório

SISANT + cadastro MAPA

Operação não recreativa inclui fotografia e filmagem vendidas, inspeção de telhado e torre, topografia, mapeamento, vistoria de sinistro, pulverização agrícola e qualquer voo feito por funcionário no exercício da função — mesmo sem cobrança direta pelo voo.

Base legal

  • Lei 7.565/1986 (Código Brasileiro de Aeronáutica), art. 281: institui o seguro RETA para aeronaves.

  • RBAC-E nº 94 (ANAC): regulamento das aeronaves não tripuladas: classes por peso e exigência de seguro em operação não recreativa.

  • SISANT (ANAC): cadastro obrigatório do equipamento acima de 250 g.

  • SARPAS (DECEA) e ICA 100-40: autorização de acesso ao espaço aéreo.

  • Código Civil, art. 927: dever de reparar o dano causado a terceiro.

Qual a diferença entre RETA e casco no seguro de drone?

São dois seguros independentes. O RETA protege quem está embaixo do drone. O casco protege o drone.

RETA x Casco: o que cada cobertura indeniza:

Evento

RETA

Casco

Drone cai sobre pedestre

Cobre a vítima

Cobre o drone

Drone cai sobre carro estacionado

Cobre o carro

Cobre o drone

Flyaway (perda de sinal, drone some)

Não cobre

Cobre

Colisão com galho, poste ou estrutura

Não cobre

Cobre

Queda no rio ou lago durante mapeamento

Não cobre

Cobre

Deriva de calda em lavoura vizinha

Cobre o terceiro*

Não cobre

Furto do drone no transporte

Não cobre

Cobre (se contratado)

*Deriva exige cobertura específica de RC por operação ou payload. O RETA padrão cobre o impacto físico, não o dano químico. Em operação de pulverização, confirme a cláusula antes do primeiro voo.

Quanto custa o seguro de drone em 2026

O prêmio do casco é calculado como percentual do valor do equipamento. Para drones profissionais a taxa de referência fica entre 4% e 10% ao ano sobre o valor segurado — bem acima da aviação tripulada, porque a sinistralidade de queda é maior e o valor residual é baixo.

Prêmio anual de referência do seguro de drone por perfil de operação (2026):

Perfil

Valor do drone

Prêmio anual estimado

Foto e filmagem

R$ 8.000 a R$ 25.000

R$ 600 a R$ 1.800

Inspeção industrial

R$ 30.000 a R$ 120.000

R$ 1.500 a R$ 5.000

Agro e pulverização

R$ 60.000 a R$ 200.000

R$ 2.500 a R$ 9.000

Valores de referência para 2026. O prêmio varia conforme peso máximo de decolagem, tipo de operação, área de voo, experiência do piloto remoto e coberturas contratadas. O RETA isolado, sem casco, custa uma fração desses valores.

Sensores e acessórios de alto valor — câmera térmica, LiDAR, gimbal, baterias sobressalentes — precisam ser declarados em verba separada. Se não estiverem na apólice, a indenização considera só o corpo da aeronave.

Seguro para drone agrícola: o que muda

O drone de pulverização acumula três exposições que o drone de filmagem não tem: valor de equipamento entre R$ 60 mil e R$ 200 mil, operação diária em janela curta de manejo, e risco de deriva de defensivo sobre lavoura de terceiro.

Três coberturas merecem atenção na cotação agrícola:

  • Danos elétricos em bateria: a bateria é o item de maior desgaste e de maior custo unitário.

  • Queda por perda de sinal: em área extensa, sem obstáculos visuais de referência, o flyaway é o sinistro mais frequente.

  • Furto e roubo em trânsito: o equipamento passa a maior parte do tempo em deslocamento entre talhões e propriedades.

O que acontece se voar sem seguro RETA

Três consequências, em ordem de probabilidade:

  1. Autorização negada: sem certificado de RETA em validade, a operação não se regulariza nos sistemas de controle e o voo comercial fica irregular.

  2. Prejuízo integral no dano a terceiro: pelo art. 927 do Código Civil, o operador responde com o próprio patrimônio — CNPJ ou CPF — por dano corporal, material e moral.

  3. Recusa do casco: um voo não autorizado costuma configurar agravamento de risco. Ter casco e não ter RETA pode significar ter os dois inúteis no sinistro.

Coberturas e quando cada uma entra

Cobertura

Protege contra

Indicação

RETA (RC terceiros)

Danos a pessoas e bens na superfície

Obrigatória em operação não recreativa

Casco

Queda, colisão e perda do drone

Equipamentos de maior valor

RC operação / payload

Danos por carga acoplada (pulverização, sensores)

Agro e inspeção

Acidentes do operador

Lesões ao piloto remoto

Opcional

Tabela de custo de referência (2026)

Perfil

Valor do drone

Prêmio anual estimado*

Foto/filmagem

R$ 8.000 a R$ 25.000

R$ 600 a R$ 1.800

Agro/pulverização

R$ 60.000 a R$ 200.000

R$ 2.500 a R$ 9.000

Inspeção industrial

R$ 30.000 a R$ 120.000

R$ 1.500 a R$ 5.000

*Estimativas 2026; o valor depende de peso, operação, área e coberturas.


Dica: contrate o RETA antes do primeiro voo comercial. Sem ele, além do risco financeiro, a operação fica irregular perante a ANAC e o seguro de casco pode não responder em voo não autorizado.


Seguro para drones agrícolas: da exigência do RETA à proteção total da lavoura

O avanço da agricultura de precisão transformou os drones de pulverização e mapeamento em ferramentas indispensáveis no campo. Contudo, enquanto o Seguro RETA é a exigência legal obrigatória perante a ANAC para cobrir danos a terceiros, ele não protege o equipamento em si. Em operações rurais complexas, colisões acidentais, ventos fortes e quedas geram prejuízos massivos em aeronaves de alto valor.


Para suprir essa lacuna, o mercado desenvolveu apólices exclusivas para drones agrícolas, integrando a cobertura de casco, danos elétricos em baterias, queda por perda de sinal e furto no transporte. Essa blindagem sob medida assegura que sua pulverização não seja interrompida no pico do manejo da safra. Solicite um estudo personalizado e proteja sua frota com quem entende de agronegócio.



Tópicos do Artigo:


1. O Seguro RETA obrigatório vs. Seguro de Casco patrimonial

No mercado de aviação não tripulada, existem dois tipos de seguros independentes com finalidades distintas que confundem os operadores: o Seguro RETA e o Seguro de Casco (Danos Físicos).


O Seguro RETA (Responsabilidade Civil do Transportador Aéreo) é o seguro de responsabilidade civil obrigatório por lei para qualquer drone que opere comercialmente no Brasil. Ele funciona de forma análoga ao DPVAT dos automóveis, mas voltado para o espaço aéreo. O seu objetivo exclusivo é garantir a indenização por danos materiais, corporais ou morais causados a terceiros na superfície em decorrência de acidentes com o drone (como a queda do equipamento sobre um pedestre ou um veículo). Sem a apólice de RETA ativa, o piloto não consegue registrar as operações nos sistemas de controle e comete uma infração aeronáutica grave.


Por outro lado, o Seguro de Casco protege o patrimônio do proprietário. Se o seu equipamento sofrer um flyaway (perda de sinal de controle), colidir contra uma estrutura ou cair em um lago durante o mapeamento, o Seguro RETA não indenizará o seu prejuízo. Para reaver o valor de reposição de drones caros (como as linhas DJI Matrice ou Agras), é necessária a contratação da cobertura de Casco e Equipamentos Adicionais (câmeras térmicas, sensores LiDAR e gimbals), que cobre danos físicos por acidentes e subtração sob violência.


2. Regulamentação ANAC e DECEA: O peso da aeronave define a regra

O arcabouço regulatório que rege as aeronaves não tripuladas é liderado pela ANAC (através do Regulamento Brasileiro de Aviação Civil Especial - RBAC-E nº 94) e pelo DECEA (através da ICA 100-40). A legislação divide os drones em três classes com base no Peso Máximo de Decolagem (PMD), que inclui a bateria e a carga útil (sensores ou insumos agrícolas).

Equipamentos com peso inferior a 250 gramas estão dispensados de registro e contratação de seguro se operados de forma estritamente recreativa. No entanto, qualquer operação de natureza comercial, corporativa ou de prestação de serviços, independentemente do peso do drone, exige o porte obrigatório do Certificado de Seguro RETA em plena validade, sob pena de apreensão do equipamento e multas administrativas que podem paralisar o CNPJ da empresa operadora.


3. Tabela técnica: Classes de Drones e exigências de seguros

Para entender em qual categoria o seu modelo se enquadra e quais são as obrigações legais de seguros exigidas para decolar, consulte a tabela técnica consolidada:

Classe ANAC

Faixa de Peso (PMD)

Seguro RETA Terceiros

Seguro Casco Patrimonial

Classe 3

De 250g até 25 kg (Ex: DJI Phantom, Inspire, Mavic Enterprise)

Obrigatoriedade por Lei (Uso Comercial)

Recomendado (Opcional)

Classe 2

De 25 kg até 150 kg (Ex: Grandes Drones Agrícolas / Pulverizadores)

Obrigatoriedade por Lei (Qualquer voo)

Altamente Recomendado

Classe 1

Acima de 150 kg (Aeronaves Não Tripuladas de grande porte)

Obrigatoriedade por Lei + Certificação de Aeronavegabilidade

Indispensável (Exigido por Credores)

⚠️ Fiscalização do Código Brasileiro de Aeronáutica (CBA): 

Operar um drone comercial sem o Seguro RETA ou sem homologação dos sistemas da ANAC (SISANT) e DECEA (SARPAS) configura contravenção penal por expor a perigo aeronaves (Artigo 261 do Código Penal). As multas administrativas variam de R$ 3.200 a mais de R$ 40.000, além da suspensão da licença de piloto.


📋 Checklist BrSeguro para Operação Legal de Drones


Como contratar o seguro de drone

  1. Cadastre o equipamento no SISANT e tenha o número em mãos.

  2. Levante nota fiscal do drone e dos acessórios que quer segurar.

  3. Defina o tipo de operação — é o que mais move o prêmio.

  4. Informe horas de voo e certificação do piloto remoto.

  5. Cote RETA e casco separadamente: nem toda seguradora que emite RETA aceita o casco do seu modelo.

Perguntas frequentes sobre seguro de drone

Drone de menos de 250 g precisa de seguro?

Em uso estritamente recreativo, não. Em uso comercial, sim: a exigência do RETA segue a natureza da operação, não o peso. Um drone de 249 g usado para vender fotos precisa de RETA.

Quanto custa o seguro RETA de um drone?

O RETA isolado é a parte barata da apólice. O que define o custo total é o casco, que fica entre 4% e 10% ao ano sobre o valor do equipamento — R$ 600 a R$ 1.800 por ano para um drone de foto de R$ 8.000 a R$ 25.000.

O seguro de drone cobre flyaway?

Cobre, pela cobertura de casco, desde que o voo estivesse autorizado e dentro das condições da apólice. O RETA não cobre flyaway, porque não houve dano a terceiro.

Preciso de seguro para drone se sou MEI?

Sim. A obrigação do RETA é do operador da aeronave, independentemente do porte da empresa. MEI que presta serviço de filmagem, inspeção ou topografia com drone opera em regime não recreativo.

O seguro do drone cobre a câmera e os sensores?

Só se estiverem declarados em verba separada na apólice. Câmera térmica, LiDAR e gimbal são os itens mais esquecidos na contratação e frequentemente valem mais que o corpo da aeronave.

Drone agrícola precisa de cobertura diferente?

Precisa. Além do RETA e do casco, a operação de pulverização exige cláusula de responsabilidade civil por deriva de defensivo, que não está no RETA padrão.

O seguro de drone cobre multa da ANAC?

Não. Nenhuma apólice cobre sanção administrativa. O seguro responde por dano a terceiro e por dano ao equipamento; a regularidade perante ANAC e DECEA é obrigação do operador.

O seguro RETA é obrigatório para drone?

Sim. O Código Brasileiro de Aeronáutica (Lei 7.565/86, art. 281) exige o seguro RETA para aeronaves, e a ANAC, no RBAC-E nº 94, aplica a exigência aos drones (RPAS) em operações não recreativas.

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