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Por Guilherme Villari — Corretor de Seguros SUSEP 202107215

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Seguro RETA: O Que É, O Que Cobre e Quanto Custa em 2026

Foto do escritor: Guilherme Villari / BRASIL SEGUROS (BRSEGURO)
Guilherme Villari / BRASIL SEGUROS (BRSEGURO)
há 1 hora
4 min de leitura

Seguro RETA: O Que É, O Que Cobre e Quanto Custa em 2026

RETA é a sigla de Responsabilidade do Explorador ou Transportador Aéreo. É o seguro obrigatório de toda aeronave registrada no Brasil — avião, helicóptero, ultraleve e drone em operação não recreativa. Ele indeniza danos causados a passageiros, à tripulação, à bagagem, à carga e a terceiros na superfície. Não cobre a própria aeronave: isso é o seguro de casco, que é separado e facultativo.

O que o seguro RETA cobre

Coberturas do seguro RETA por tipo de vítima:

Quem

O que é indenizado

Passageiros transportados

Morte, invalidez e despesas médicas

Tripulação

Morte, invalidez e despesas médicas

Terceiros na superfície

Dano corporal e material a pessoas e bens em solo

Bagagem

Perda e avaria da bagagem despachada

Carga

Perda e avaria da carga transportada

A estrutura vem do Código Brasileiro de Aeronáutica, Lei 7.565/1986, art. 281, e o certificado em validade é condição para manter o registro regular na ANAC.

Qual a diferença entre RETA e casco?

O RETA protege quem a aeronave pode machucar. O casco protege a aeronave.

RETA x Casco aeronáutico:

Característica

RETA

Casco

Natureza

Responsabilidade civil

Dano ao patrimônio

Obrigatoriedade

Obrigatório por lei

Facultativo

Protege

Passageiros, tripulação, carga, terceiros

A própria aeronave

Cobre pouso forçado com perda total?

Só as vítimas

Sim, a aeronave

Cobre incêndio no hangar?

Não

Sim

Peso no prêmio total

Fração pequena

Maior parte do custo

Na prática, quase nenhum operador contrata só o RETA: os limites legais do RETA são baixos frente ao valor das indenizações aeronáuticas, e por isso a apólice costuma somar uma RC Facultativa (RCF) acima do RETA.

Quanto custa o seguro RETA em 2026

O RETA isolado é barato. O que define o custo da apólice aeronáutica é o casco, cobrado como percentual do valor segurado da aeronave.

Taxa anual de casco de referência por tipo de aeronave (2026):

Tipo de aeronave

Valor típico

Taxa anual de casco

Monomotor a pistão (particular)

R$ 400 mil a 1,5 mi

2,0% a 4,5%

Bimotor a pistão

R$ 1 a 4 mi

2,5% a 5,0%

Turboélice

R$ 3 a 15 mi

1,8% a 4,0%

Jato executivo

R$ 10 a 60 mi

1,2% a 3,0%

Helicóptero (particular)

R$ 2 a 12 mi

3,0% a 6,5%

Helicóptero (táxi-aéreo / offshore)

R$ 5 a 30 mi

Sob análise

Drone profissional

R$ 15 a 300 mil

4% a 10%

Taxas de referência para 2026 sobre o valor segurado. Variam com horas de voo do piloto, tipo de operação (particular, táxi-aéreo, agrícola, instrução, offshore), local de hangaragem e histórico de sinistros. Operação comercial e offshore têm precificação própria e frequentemente exigem resseguro internacional.

Repare na curva: quanto mais cara a aeronave, menor a taxa percentual. Jato executivo paga 1,2% a 3,0%; drone paga 4% a 10%. O motivo é sinistralidade — frequência de queda e valor residual após o acidente.

Quem é obrigado a contratar RETA

  • Aeronave de uso particular — sim, pelo registro na ANAC.

  • Táxi-aéreo e transporte público — sim, com limites majorados pela natureza da operação.

  • Aviação agrícola — sim, com atenção à cláusula de deriva de defensivo.

  • Escola de aviação e instrução — sim, e o aluno em comando precisa estar declarado.

  • Ultraleve registrado — sim, a regra é da aeronave registrada, não do porte.

  • Drone em operação não recreativa — sim, qualquer peso. Ver seguro para drone.

O que o RETA não cobre

  1. A própria aeronave — é o casco.

  2. Multa e sanção administrativa — nenhuma apólice cobre.

  3. Voo fora das condições da apólice — piloto sem habilitação válida, operação diferente da declarada, aeronave sem aeronavegabilidade em dia.

  4. Guerra, sequestro e confisco — cobertura suplementar (Guerra Hull), relevante em jato executivo e voo internacional.

  5. Peças e motores sobressalentes fora da aeronave — precisam de verba própria.

Como emitir o certificado de RETA

  1. Tenha em mãos a matrícula da aeronave e o certificado de aeronavegabilidade.

  2. Defina o tipo de operação — é o que mais move limite e prêmio.

  3. Informe horas totais e horas no tipo do piloto em comando.

  4. Declare local de hangaragem e rotas habituais.

  5. Cote RETA e casco juntos: a maioria das seguradoras só emite RETA dentro da apólice aeronáutica completa.

Perguntas frequentes sobre o seguro RETA

O seguro RETA é obrigatório?

Sim. O RETA é obrigatório para toda aeronave registrada no Brasil, conforme o Código Brasileiro de Aeronáutica (Lei 7.565/1986), e é condição para manter o registro regular na ANAC.

O que significa RETA?

Responsabilidade do Explorador ou Transportador Aéreo. É o seguro de responsabilidade civil obrigatório da aviação, que indeniza passageiros, tripulação, bagagem, carga e terceiros na superfície.

O RETA cobre a própria aeronave?

Não. O RETA é responsabilidade civil. Danos à aeronave são cobertos pelo seguro de casco, que é contratado separadamente e é facultativo.

Quanto custa o seguro RETA?

O RETA isolado representa uma fração pequena da apólice. O custo total é definido pelo casco, que varia de 1,2% a 10% ao ano sobre o valor da aeronave, conforme o tipo — 1,2% a 3,0% em jato executivo, 4% a 10% em drone profissional.

Ultraleve e helicóptero também precisam de RETA?

Sim. A obrigatoriedade vale para aeronaves registradas em geral, incluindo aviões, helicópteros e ultraleves.

Drone precisa de RETA?

Precisa, em operação não recreativa, independentemente do peso. Um drone de 249 g usado comercialmente está na mesma obrigação de um equipamento de 25 kg.

O que acontece se a aeronave voar sem RETA?

A operação fica irregular perante a ANAC, sujeita a sanção administrativa e à retenção da aeronave, e o operador responde com o próprio patrimônio por qualquer dano a terceiro.

RETA e RC Facultativa são a mesma coisa?

Não. O RETA é o limite obrigatório previsto em lei. A RC Facultativa (RCF) é uma camada contratada acima do RETA, porque os limites legais costumam ser baixos frente ao valor das indenizações aeronáuticas.

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